
Pela primeira vez na sua história, o Brasil teve que participar das eliminatórias. Os adversários foram Chile e Paraguai, e após os quatro jogos o Brasil obteve quatro vitórias, classificando-se com facilidade.
Como alguns jogadores dessa geração foram muito marcados por terem sido "covardes" no jogo final contra os uruguaios em 1950, essa seleção de 1954 queria mostrar uma "hombridade" que não condizia com a nossa história e nosso estilo de jogo. O ex-técnico do Brasil Ademar Pimenta, então comentarista de rádio, falava aos quatro cantos que havia faltado raça àquele time na fatídica partida do Maracanã.
Debutamos o uniforme amarelo e azul também, uma vez que, dentro da CBD, bradava-se que teríamos que iniciar um novo ciclo para a seleção, abandonando o fatídico branco de 1950 !
O Brasil estreiou no grupo 1 contra o México, dia 16 de junho de 1954, em Geneva. Logo no primeiro tempo, placar de 4x0 para o Brasil (gols de Baltazar, Didi e Pinga - 2 vezes). Na segunda etapa, Julinho completou o placar. Final de jogo, Brasil 5x0 México.
Três dias depois, a 19 de julho, o Brasil enfrentou a Iugoslávia (sempre ela) em Lausanne, e apenas empatou por 1x1, com um gol de Didi, após estarmos perdendo. A curiosidade : os brasileiros, não sabendo que o empate classificava as duas seleções, lutaram até o fim da prorrogação por uma vitória que era desnecessária; os iugoslavos faziam gestos para os brasileiros tentando avisar sobre isso, mas como ninguém entendia, continuaram buscando o segundo gol. Somente nos vestiários, ao fim do jogo, alguém da delegação veio com a notícia de que os dois países estavam nas quartas de final. México e França havia sido eliminados.
O adversário da próxima fase seria a então sensação da copa : a equipe da Hungria, que vinha de duas goleadas (9x0 e 8x3). A esta altura, os jogadores estavam divididos entre o "machismo patriótico" e o medo de uma nova decepção.
Esse jogo ficou conhecido como a "batalha de Berna". Disputado em 27 de junho de 1954, em Wankdorf, atraiu todas as atenções por confrontar duas equipes altamente técnicas. O técnico Zezé Moreira insistia que a principal chance de vitória contra os húngaros era resistir aos primeiros dez minutos de pressão e depois partir para o ataque. Acabou não dando certo, porque com apenas oito minutos do primeiro tempo a Hungria já tinha dois gols de vantagem sobre o Brasil. Tentando sua reação, o Brasil diminuiu aos 17 minutos, em cobrança primorosa de pênalti de Djalma Santos. O jogo continuou muito disputado, e Julinho Botelho fazia uma apresentação sensacional. Mas o primeiro tempo terminou mesmo 2x1 para os húngaros.
No segundo tempo, os húngaros logo fizeram o terceiro gol em cobrança de pênalti, mas descontamos logo com Julinho. Acertamos duas bolas na trave, pressionamos, mas perdemos Nilton Santos e Humberto expulsos, enquanto eles perderam Bozski. Em vantagem no número de jogadores e no placar, liquidaram o jogo com um gol de Cocsis aos 42 do tempo final : 4 X 2 para a Hungria.
Mal o juiz terminou o jogo e uma verdadeira batalha começou: os 22 jogadores se envolveram na pancadaria. Sobrou até para dirigentes e jornalistas. É tida até hoje como uma das partidas mais violentas das copas. Péssimo exemplo de "hombridade" !
Terminava assim, de maneira lamentável, a nossa participação na copa da Suíça ...
Convocados :
Saldo final da copa :
03J, 01V, 01E, 01D, 08GP, 05GC, 03SG










