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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Brasil na copa - 1958

A seleção brasileira sofreu para se classificar para essa copa : nas eliminatórias, enfrentaria o Peru e a Venezuela, mas com a desistência venezuelana, só houve jogos entre brasileiros e peruanos. No primeiro jogo em Lima, empate por 1x1, deixando a classificação pendente para a partida de volta na Maracanã. Uma derrota significaria a não participação num mundial pela primeira vez. A vitória brasileira foi suada, conseguida pelo placar mínimo graças à uma cobrança de falta magistral de Didi, com a sua famosa "folha-seca". Estávamos novamente numa copa do mundo !

O Brasil estreiou na copa derrotando a Áustria por 3x0, no dia 08 de junho, no estádio Rimnersvallen, em Udevalla. O Brasil abriu o placar com Altafini (38'), e fechou a goleada com gols de Nilton Santos (49') e novamente Altafini (89').

A segunda partida, realizada no dia 11 de junho, foi o primeiro embate entre Brasil e Inglaterra na história das copas. Dentro de campo, a defesa inglesa conseguiu anular o ataque brasileiro, forçando os brasileiros ao erro e ao nervosismo. A melhor chance brasileira foi num chute na trave de Mazzola. Nosso goleiro não teve muito trabalho, na verdade menos que na partida de estréia. O resultado de 0x0 foi o primeiro em copas, e acabou forçando o Brasil a ter que derrotar os russo na terceira partida para garantir a classificação à fase seguinte.

Entramos em campo no dia 15 com mudanças significativas : uma
reunião interna dos jogadores resultou no pedido ao técnico brasileiro para que entrassem Pelé, Garrincha e Zito (nos lugares de Joel, Dida e Dino Sani). O jogo iniciou com um massacre brasileiro, exigindo muito do lendário goleiro Lev Yashin (o "Aranha-Negra", considerado por muitos o melhor goleiro de todos os tempos). Logo aos 2' Vavá abriu o placar para o Brasil. Se não fosse por Yashin, seria uma goleada ainda no primeiro tempo, mas terminou 1x0. Na segunda etapa, nova pressão brasileira, ao mesmo tempo que nossa defesa estava impecável, não permitindo mais que chutes de longa distância contra Gilmar. Vavá fez o segundo gol aos 65', em passe de um menino chamado Pelé. Garantimos nossa passagem às quartas.

No dia 19 de junho, enfrentamos novamente a escola britânica, em partida contra o País de Gales. Desta vez tínhamos o desfalque de Vavá (em seu lugar entrou Mazzola). A história se repetia, com nosso goleiro assistindo à partida, e o goleiro adversário trabalhando incessantemente para evitar uma goleada. O segundo tempo começou mostrando 0x0 no placar. Aí aconteceu um lance que entraria na história do futebol mundial : Pelé, num lindo lance individual aos 66', se livrou de seu marcador dentro da área e marcou aquele que seria seu primeiro gol em copas. A pressão continuou ate o apito final (tivemos bola na trave e até gol mal anulado), mas o placar acabou sendo 1x0 para o Brasil.

Na semifinal, dia 24 de junho, enfrentamos a forte equipe francesa, com seu ataque fenomenal, liderado por Fontaine, em partida realizada em Estocolmo. Vavá abriu o placar logo aos 2', em passe de Garrincha. Apesar do empate francês aos 9', em gol de Fontaine, o Brasil seguiu seu ritmo avassalador e novamente marcou aos 39', com Didi. Na segunda etapa, Pelé deu show e marcou três vezes : aos 52', 64' e 75'. Piantoni diminuiu aos 83', mas a vitória brsileira já estava garantida : 5x2.

A grande final, dia 29 de junho, foi contra os donos da casa, os suecos, que assim forçaram o Brasil a jogar com seu uniforme reserva, o azul. Desta vez foram nossos adversários quem abriram logo o placar, com um gol de Liedholm aos 4'. Mas Vavá logo empatou, aos 9', e novamente aos 32'. No segundo tempo, Pelé aos 55' (com um lindo chapéu no zagueiro) e Zagallo aos 68' aumentaram nossa vantagem. Simonssom marcou aos 80', mas novamente Pelé marcou, desta vez de cabeça, aos 90' e selou a conquista de nossa primeira copa do mundo.

O capitão Bellini inaugurou, meio sem querer, o gesto de levantar a taça sobre sua cabeça, devido aos pedidos dos fotógrafos para um bela foto. Estávamos definitivamente com nosso nome gravado na história das copas !

Convocados:


Saldo final : 06J, 05V, 01E, 00D, 16GP, 04GC, 12SG

domingo, 2 de agosto de 2009

Copa do mundo VI - Suécia 1958

A neutralidade da Suécia durante a II Guerra Mundial também acabou sendo um fator decisivo para sua escolha como país-sede da copa, uma vez que a Europa ainda sentia os efeitos das batalhas travadas em seu território. Foi a copa com maior número de solicitações para as eliminatórias até então : 53 países.

A Espanha, que contava com uma bela geração (inclusive com o argentino naturalizado espanhol Di Stéfano), foi derrotada nas eliminatórias pela Escócia. A Hungria se classificou, mas não pode contar com Puskas e Kocsis, que haviam fugido de seu país após a intervenção soviética de 1956. O Uruguai não passou pelas eliminatórias (perdeu do Paraguai). O mesmo ocorreu com a Itália, que pela primeira vez não se classificou para um mundial, sendo derrotada pela Irlanda do Norte. A Argentina voltava a disputar uma copa após longa ausência (desde 1930).

A fórmula de disputa era a já consagrada fase de grupos (com 16 países), seguida da fase eliminatória a partir das quarta-de-final. Foi disputada no período de 08 a 29 de junho de 1958.

No grupo 1, estavam Irlanda do Norte, Argentina, Alemanha e Tchecoslováquia. A Alemanha se classificou em primeiro, e a segunda posição ficou com a Irlanda do Norte, após partida desempate diante da Tchecoslováquia. A Irlanda, após ganhar a vaga nas eliminatórias diante da Itália, continuava surpreendendo. Já os "hermanos" voltavam pra casa mais cedo, tendo um desempenho pífio, inclusive sendo derrotados por 6x1 na última partida diante da então campeã Alemanha.

O grupo 2 colocou lado a lado as seleções da França, Iugoslávia, Paraguai e Escócia. A equipe francesa contava com um ataque poderoso (tinha Fontaine como principal exponente) e se classificou para a fase seguinte em primeiro lugar, seguida da Iugoslávia.

Pelo grupo 3, se encontraram Suécia, México, País de Gales e Hungria. A Suécia, contando com o apoio de sua torcida, se classificou em primeiro no grupo, e a segunda posição foi decidida em uma partida desempate entre Hungria e País de Gales (que estava com três empates nessa fase) : vitória galesa, de virada, por 2x1.

Estávamos no grupo 4, que contava ainda com URSS, Inglaterra e Áustria. Com duas vitória e um empate, o Brasil se classificou em primeiro, deixando a decisão do segundo lugar entre URSS e Inglaterra, que também numa partida desempate decidiram a vaga na fase seguinte : vitória soviética, e nova decepção inglesa (os criadores do futebol ainda não tinham emplacado numa copa do mundo).

Nas quartas-de-final, iniciamos a disputa tendo o Brasil frente à retranca do País de Gales. A classificação brasileira veio após um gol espetacular de Pelé, que achou um pequeno espaço na defesa galesa e fez o gol solitário do Brasil : 1x0.

O outro confronto foi entre França e Irlanda do Norte. O forte ataque francês não encontrou maiores resistências e acabou massacrando os irlandeses : 4x0, com dois gols de Fontaine.

Na disputa envolvendo Alemanha e Iugoslávia, os então campeões mundiais ganharam pelo placar mínimo : 1x0. Após a marcação de seu gol, os alemães se fecharam na defesa e não permitiram aos iugoslavos a reação.

Na partida entre os donos da casa e os soviéticos, outra partida feia, truncada, que terminou com a vitória sueca por 2x0. Os soviéticos, tidos como uma das seleções favoritas, reclamaram do desgaste físico, já que tinham disputado uma partida a mais que os suecos.

Nas semifinais, a seleção brasileira enfrentou o fortíssimo ataque francês, mas fomos nós quem marcamos mais, e sempre estivemos à frente no placar : vitória por 5x2. Na outra partida, a Suécia venceu de virada a seleção alemã por 3x1, e assim conquistava o direito de disputar a grande final contra os brasileiros. Na decisão do terceiro lugar, a França derrotou a Alemanha por 6x3 e garantiu seu lugar no pódio.

Na final, tivemos que trajar o uniforme azul, já que o privilégio do uniforme amarelo foi dos suecos. Apesar de começar perdendo com um gol logo aos 4 minutos, viramos o placar ainda na primeira etapa, e ao final do jogo, finalmente o mundo reconheceu o Brasil como o país do futebol : nova vitória de 5x2.

O rei sueco condecorou os brasileiros. Infelizmente Jules Rimet não estava mais vivo para ver esse seu sonho realizado : entregar a taça de campeão mundial aos brasileiros !


Ficha técnica da final :
Brasil 5x2 Suécia
Data : 29/06/1958
Local : Solna - Rasunda
Juiz : Maurice GUIGUE (FRA)
Público : aprox. 51.800 pessoas
Brasil : [3] GILMAR (GK), [2] BELLINI, [4] DJALMA SANTOS, [6] DIDI, [7] ZAGALLO, [10] PELÉ, [11] GARRINCHA, [12] NILTON SANTOS, [15] ORLANDO, [19] ZITO e [20] VAVÁ
Suécia : [1] Karl SVENSSON (GK), [2] Orvar BERGMARK, [3] Sven AXBOM. [4] Nils LIEDHOLM, [6] Sigvard PARLING, [7] Kurt HAMRIN, [8] Gunnar GREN, [9] Agne SIMONSSON, [11] Lennart SKOGLUND, [14] Bengt GUSTAVSSON e [15] Reino BORJESSON
> Gols : Nils LIEDHOLM (SWE) 4', VAVÁ (BRA) 9', VAVÁ (BRA) 32', PELÉ (BRA) 55', ZAGALLO (BRA) 68', Agne SIMONSSON (SWE) 80' e PELÉ (BRA) 90'

Saldo final :
> 16 países
> 35 partidas
> 126 gols (média de 3,6 GPP)
> público médio de 26.200 pessoas